Queremos apresentar abaixo nossa opinião sobre alguns fatos que aconteceram durante o VII Mundial de Menores de Pádel, realizado nos dias 13 a 18 de outubro, em Sevilha, Espanha. Fazer uma análise objetiva, apresentando algumas sugestões no sentido de auxiliar o desenvolvimento do pádel, estando sujeita a críticas e contribuições.
Da organização
– Da delegação: composta por 63 pessoas, sendo 30 atletas, dos quais 15 inscritos na disputa das Nações e outros 15 somente no Open, totalizando 15 duplas. Além desses atletas, acompanharam a delegação - 33 adultos, entre dirigentes, comissão técnica, pais, professores e padelistas.
– Dos custos: a participação do Brasil na competição foi patrocinada pelos pais dos atletas. O único recurso (parcial) obtido pela Confederação foi para produção dos uniformes daqueles que participaram das Nações.
– Da acomodação: o grupo foi dividido, ficando os 15 atletas das Nações, mais cinco do Open e Comissão Técnica no CAR – Centro de Alto Rendimento. O restante (10 crianças e pais) ficou hospedado no Hotel Vértice, bem distante do CAR e do Estádio Olímpico no qual foram realizados os jogos. Distante de tudo. Somente nesse deslocamento, considerando o grupo que ficou hospedado no hotel, estima-se que se tenha gastado aproximadamente 3.000 euros com táxi, pois o local em que foram realizados os jogos era de difícil acesso (não tinha linha de ônibus, nem ponto de táxi). No valor, não estão considerados os gastos com telefonemas para solicitar táxi.
– Da unidade: dos atletas que ficaram no hotel, 3 estavam desacompanhados dos pais. Pois bem, alguém ficou responsável pela organização e deslocamento dessa equipe? Não tinham identificação, crachá, não sabiam aonde seriam realizados os jogos, ... Falar em unidade da delegação fica difícil se os critérios de tratamento são diferenciados.
– Do deslocamento: são crianças, e como tal devem ser tratadas. Por exemplo, em qualquer excursão escolar vão alguns professores, orientadores; o grupo é contado e recontado a todo instante;nenhuma criança anda sozinha ou é deixada para trás. E na delegação brasileira, isso ocorreu? Não. Não tinha responsável(saveis) pelo grupo, não havia contagem e criança(s) foi(ram) deixada(s) para trás ou andou separada do grupo.
Sugestões:
- Patrocínio: regularização das federações e confederação brasileira como entidade jurídica, devidamente instituída e registrada nos órgãos governamentais. Caso isso já esteja feito, o caminho fica mais fácil. Parte-se para elaboração de projetos a curto, médio e longo prazo. Apresenta-se o mesmo a diversas empresas (instituições bancárias, de telefonia, governamentais, privadas, de comunicação), não só com vista a participação do Brasil em competições internacionais, mas de estruturação, divulgação e inserção social do pádel. Configurado dessa forma, é provável que se obtenha os recursos necessários para desenvolvimento e evolução desse esporte.
- Logística: ficamos hospedados em hotel distante de tudo e este talvez tenha sido o principal problema. Caso tivéssemos ficado em hotel próximo ao local dos jogos (e tinha hotel próximo, pelo menos dois de boa estrutura), isso diminuiria o custo de deslocamento, o grupo estaria próximo da integração ideal, e os pais poderiam acompanhar de perto as crianças, auxiliando nas tarefas de organização e controle das mesmas. Nesse sentido, como tínhamos vários pais, algumas tarefas poderiam ter sido divididas e ou delegadas. E, isso tudo, já poderia ter sido combinado no Brasil, sair daqui com o planejamento definido, com as atividades distribuídas.
Do campeonato
– Do local dos jogos: estrutura das quadras irretocável, de primeira linha. Apesar de não estarmos acostumados com o piso, as quadras estavam em perfeitas condições para a realização das partidas. Entretanto, sentimos falta de um local para lanche e almoço, maior variedade no cardápio, e lugar para descanso dos atletas.
– Da disciplina: durante o processo de seletiva tivemos conhecimento de que um atleta teria sido afastado da competição por problemas disciplinares, impossibilitado de participar do Mundial. Agora, tivemos uma atleta que retornou para o Brasil antes do final do campeonato. No meu entendimento esta é uma situação muito mais grave, e qual será a atitude da Confederação? Acredito que não exista a possibilidade de se convocar um atleta para meio campeonato, 2/3 de campeonato...ou participa ou não participa!
– Da saída do campeonato: o Brasil derrotado pela Espanha nas semifinais, entrou com reclamatória apontando irregularidades cometidas pelo país sede durante a competição, solicitando a sua exclusão. Não atendida, o Brasil não disputou o 3º lugar, contra o Canadá, no masculino e o México, no feminino. O que isso resolveu? No meu entendimento absolutamente nada. Não contribuiu em nada para o engrandecimento do esporte, pela evolução do mesmo. Competição é uma coisa, regulamento é outra. Dentro de quadra se joga; regulamento se discute nos tribunais, nas instâncias definidas para este fim. Sair da competição para mim e para alguns pais e atletas que conversei em Sevilha, foi um erro. Fomos para jogar, contra todas as adversidades – quadras, torcida, calor e arbitragem. Em todas as competições esportivas ocorrem irregularidades, e as pessoas deixam de participar das mesmas? Se fosse assim, o Internacional não seria campeão da Libertadores e Mundial, pois o que foi o campeonato brasileiro de 2005? Na política, estaremos resolvendo alguma coisa deixando de votar? Existem outras formas de protesto, tais como, por exemplo: usar o uniforme do lado avesso, usar tarja preta, escrever uma mensagem nas camisetas, aproveitar a presença da imprensa, etc. Para mudar o processo, para lutar pela ética, pelos bons princípios, temos que enfrentar tudo e a todos participando das competições, não saindo das mesmas. Caso a FIP seja uma entidade séria, quais sanções ela poderá aplicar ao Brasil? Sei lá, não participar do próximo PanAmericano, do Mundial, tirando a sede do país? Estamos dispostos a pagar esse preço? Enfim, admitindo que a Espanha tenha cometido irregularidades, isso teria modificado o resultado do campeonato? Acredito que não, pois a Espanha e a Argentina ainda estão na nossa frente tecnicamente. E, no feminino, por que o Brasil não disputou o 3º lugar contra a seleção mexicana, se o campeonato foi separado por gênero (a pedido do Brasil) e a discussão regulamentar atingia a competição masculina? Mesmo que já estivesse 1 x 0 para o México, dada a saída antecipada da atleta brasileira, havia a possibilidade de jogar as outras duas categorias (16 e 18 anos), e mesmo que perdêssemos esses dois jogos, estaríamos em quadra, representando o país da melhor forma possível.
Do nível técnico:
Nossos atletas deram o melhor de si, dentro das possibilidade individuais de cada um. A diferença do piso das quadras espanholas para as brasileiras, além do fato de serem ao ar livre e todas de vidro, contribuíram para que muitos dos atletas não conseguissem jogar com toda potencialidade. De qualquer forma, ficou evidente o distanciamento do Brasil para as equipes da Argentina e da Espanha. O motivo, a nosso ver, está no apoio e incentivo à prática do esporte. Foram disputadas categorias de 10 e 12 anos de idade, tanto no feminino quanto no masculino. Dessas categorias iniciais, o Brasil contou com a participação de apenas uma dupla no masculino 12 anos, ao contrário dos países citados, os quais participaram com grande número de duplas.
Essa diferença de nível e de quantidade de atletas somente poderá ser diminuída com o incentivo à prática do pádel pelas crianças no Brasil. Com exceção de algumas academias que já possuem projetos comunitários ou escolinhas, será inviável se apostar na continuidade e renovação de atletas.
Aqui mencionamos o fato de não ter mais ocorrido a categoria infantil nas etapas do campeonato gaúcho. Assim, fica difícil a renovação e o surgimento de novos talentos. Lembro-me da etapa do estadual de Santana do Livramento quando um menor, jogando duas categorias, 14 anos e 5ª categoria (iniciantes), ao lado do pai, tomou WO em uma partida, porque as duas estavam marcadas para o mesmo horário, isso traz algum benefício para o esporte?
Sugestões:
Que as federações incentivem as academias a manterem escolinhas, projetos voltados para a comunidade e parcerias com escolas, liberando horários para a prática do pádel pelas crianças.
Que no campeonato gaúcho, à exemplo do que ocorre em Santa Catarina, as crianças sejam dispensadas do pagamento da inscrição (a fim de incentivar a participação), devendo os horários dos jogos serem limitados a um período do dia (por exemplo, sábado à tarde, como ocorria anteriormente), bem como que sejam privilegiados os horários daqueles que jogam o infantil e uma categoria adulta, a fim de evitar a colisão de horários das partidas.
Enfim, não estamos tentando responsabilizar individualmente o desempenho do país na competição, temos sim, que buscar a evolução técnica, estrutural do esporte, construindo quadras similares às existentes na Espanha e na Argentina, com patrocínio, apoio, tornando o pádel um esporte de competição internacional, tanto no PanAmericano, quanto nas Olimpíadas e, principalmente, investindo na participação das crianças. Entendemos que o pádel é feito por todos: atletas, pais, professores e padelistas, independente do poder aquisitivo, do patrocínio e do tempo em que está atuando no meio.
Fuente:
Júlio César Pinto de Oliveira
Sheila Silva de Oliveira
juliocesar.colorado - arroba - gmail.com
Nota:Interior de la noticia: Assunto: VII MUNDIAL MENORES PADEL. Muy Interesante!!